Demolição do estádio, que passará a se chamar a Arena da Amazônia, pode não acontecer
Vivaldo Lima (Foto: André Viana / Divulgação)
Fechado desde o dia 3 de março (data da última partida oficial que acolheu - um jogo entre Sul América e América, válido pelo primeiro turno do campeonato amazonense), o Vivaldão espera a retirada completa de sua cobertura para ser demolido e dar lugar a Arena da Amazônia: um moderno projeto arquitetônico em forma de cesta indígena.
A inspeção do LOC durou 30 minutos. Durante este período, o comitê constatou que materiais de fácil remoção (como cadeiras, telhado das arquibancadas, catracas, louças, parte do gramado, instalações elétricas e hidráulicas) já não se encontram no estádio. Como as obras no Vivaldão só são visíveis do lado interno, imensos tapumes foram colocados em volta do local pelo governo do estado do Amazonas.
Como de hábito, o comitê não concedeu entrevista à imprensa local. Mas, para o secretário estadual de esporte, Júlio César Soares, o andamento das obras no estádio deixou os inspetores satisfeitos.
Os secretários exaltaram que ao contrário de outras cidades, cujas obras de reforma ou construção de arenas aguardam o resultado das licitações, Manaus já está executando o projeto que apresentou a Fifa, e que fez com que superasse Belém ao ser escolhida para ser sede amazônica da Copa de 2014.
O governo do Amazonas espera a liberação de R$ 400 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) para agilizar a obra. Com poucas chances de receber jogos de fases mais agudas em 2014, a intenção do estado é brigar pelo direito de sediar a Copa das Confederações, que será realizada em 2013.
- Temos tudo para entregar a Arena da Amazônia, pronta, em dois anos. A demolição deve durar três meses. Será fundamental que o LOC faça o relatório para o BNDES. Com a liberação da verba a obra vai caminhar com mais velocidade - explicou o secretário de planejamento do Estado, Marcelo Castro Lima.
Demolição em risco
A intenção do governo do Amazonas de demolir o estádio Vivaldo Lima (inaugurado em 1970), porém, corre risco de não acontecer. No que depender do Instituto Amazônico de Cidadania (IACI), o Vivaldão ficará onde está e a Arena da Amazônia não passará de uma bela maquete feita por computação gráfica.
O IACI entrou com uma Ação Popular no Ministério Público Federal (MPF), no dia 4 de abril, assinada pelo deputado estadual Luiz Castro (PPS) e pelo vereador Mário Frota (PDT), pedindo a suspensão imediata das obras.
Segundo o presidente do IACI, Hamilton Leão, a intenção da Ação Popular não é prejudicar a candidatura do Amazonas para a Copa de 2014, mas, sim, evitar que a população arque com os milionários gastos da Arena da Amazônia (estimados em R$ 495 milhões).
- Temos um projeto de reforma para o Vivaldão que atende todas as exigências da Fifa. Não há necessidade de demolição. Reformá-lo é muito mais barato e rápido - explicou Hamilton Leão.
O projeto de reforma do Instituto – que ainda não foi apresentado publicamente - foi elaborado pelo engenheiro e colaborado do IACI Jerônimo Maranhão.
A Ação Popular se encontra nas mãos do procurador-chefe do MPF, Thales Messias Pires Cardoso, que deve agendar, nos próximos dias, uma reunião com os membros do IACI. Enquanto isso o Vivaldão – cujo público pagante de sua última partida oficial foi inferior a 70 pessoas - vai “morrendo” lentamente.
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